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Parasita | Crítica

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Por Pedro Amaro

Acompanhar a filmografia de um diretor nos faz perceber diversos detalhes como sua evolução, maturidade e semelhanças nos filmes. O diretor sul coreano Joon-ho Bong é um dos mais fascinantes de se analisar na atualidade. Com a sua repetida sátira social já realizou terror, drama e ficção científica , sendo o thriller a principal ferramenta utilizada pelo realizador.

Sua mais recente obra, Parasita, conta a história de uma família extremamente pobre (os Kim) que conseguem um trabalho em uma outra família que é milionária (os Park), porém sendo obrigada a sustentar uma mentira.

Na primeira camada, em vários momentos no filme, Bong executa um suspense digno de Hitchcock com a teoria da “bomba em baixo da mesa”. São sequências que prendem os olhos do espectador e nos colocam no papel de defesa da família Kim, uma vez que o diretor desenvolve uma relação de aproximação do público com os protagonistas durante todo o primeiro longo ato. 

Pois, a criação de conexão com aqueles indivíduos é importante para o que veremos em seguida.

Hye-jin Jang, Woo-sik Choi, and So-dam Park in Gisaengchung (2019)

Inserindo suas famosas gags visuais, o diretor mergulha na relação social dos personagens. Fazendo uma crítica bem sólida ao abismo existente na relação de classe alta e pobreza causada pelo capitalismo.

Assim como as obras anteriores que realizou, Bong extrai a crítica para uma temática pertinente. Lembrando que o cinema pode ser panfletário, sem ignorar uma história envolvente e que dialoga com o público mundial. Não é preciso ter um conhecimento pleno da sociedade coreana para obter um entendimento razoável das dificuldades e obstáculos que a família vive.

Há uma cena – calma, não será um spoiler – onde a família está escondida debaixo de uma mesa e precisa sair sem que os patrões (que estão dormindo no sofá ao lado) percebam. Eles vão fugindo aos poucos, mas os donos da casa acordam levemente e realizam uma determinada ação.

Isso traduz a temática do filme: os Kim vivem abaixo dos ricos e precisam sustentar uma farsa que aos poucos se sente ameaçada. Que é brindada com uma surpresa, reafirmando ainda mais a mensagem do filme sobre os pobres viverem em buracos.


Percebam que a maioria das cenas dos Park são mais iluminadas e em locais abertos (mesmo dentro de um quarto). Enquanto os Kim são vistos em locais apertados, escuros e sempre tentando “sair” dessa condição.

Bong é um dos meus diretores favoritos e perdoe-me se o comentário soar como piada infame (não é meu objetivo), mas é fascinante um homem com olhos tão pequenos e apertados, conseguir enxergar o mundo de forma tão ampla.

 

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