Coringa | Crítica

    Por Pedro Amaro

    O diretor famoso pela trilogia de humor “Se Beber Não Case”, Todd Phillips, realiza o melhor drama de sua carreira até aqui. Somos apresentados ao humorista e palhaço Arthur Fleck antes de se transformar no famoso vilão dos quadrinhos (e cinema) conhecido por Coringa.

    Vemos e sentimos a vida do cidadão que busca sucesso na vida, ao mesmo tempo que precisa cuidar da mãe e conviver com um distúrbio que o impede parar de rir.

    Phillips abraça abertamente as influências de Taxi Driver para discutir como a mesma sociedade que pode transformar o indivíduo em um psicopata, é a mesma que pode o eleger como um símbolo de luta. Algo que Scorsese já havia realizado (e de certa forma, Kubrick também).

    Resultado de imagem para coringa 2019

    E para somar a isso, o diretor mergulha em “Rei da Comédia” (também do Scorsese) para usar o humor como escapismo do personagem e extensão de sua loucura.

    Há uma cena onde o protagonista assiste pela tv ao programa do apresentador Murray Franklin (Robert De Niro) e começa a improvisar uma apresentação. É algo que vemos em “Rei Da Comédia”, onde o trambiqueiro Rupert Pupkin ensaia diante de uma plateia imaginária.

    São formas melancólicas de mostrar o desejo dos humoristas pelo sucesso.

    Porém, em Coringa é algo que contribui para afundar o personagem na loucura.

    Resultado de imagem para coringa 2019

    E para deixar o espectador mais curioso, os roteiristas Todd Phillips e Scott Silver pontuam o vilão com paralelos ao personagem de Charlie Chaplin.

    Em sua maioria, Chaplin, que tragicamente possuía uma mãe que sofria de doença mental, representou o vagabundo de forma a se inclinar para frente, improvisando movimentos, usando calças curtas e sendo o agente da própria piada.

    Arthur também é assim. Usa calças curtas, se inclina para frente é causa o próprio humor. E tragicamente, também possui uma mãe doente.

    Porém, chega a ser aliviador pensar que Phillips compreende que o vagabundo de Chaplin e o Coringa do Joaquin Phoenix são diferentes. Por isso ele faz questão de pontuar uma diferença bem clara.

    Em sua maioria, os personagens de Chaplin estão sempre tentando se passar por quem não são para conseguir algo (seja um caso amoroso ou dinheiro). Mas quase sempre a farsa era descoberta e o protagonista não se tornava aquilo que fingia.

    Em Coringa, a mentira também está presente. O personagem tenta se convencer de vários fatos que deseja ter na vida. Mas no último ato, o vilão abraça tudo que passou e transforma toda mentira em instrumentos de violência.

    Resultado de imagem para joker 2019

    Isso só é possível graças a magnífica atuação do Joaquin Phoenix. E Todd Phillips entende isso e filma o intimismo do personagem na solidão de sua casa, nas apresentações de humor ou mostrando o corpo incrivelmente magro e esquelético do ator.


    Talvez a maior polêmica seja a não punição do vilão no terceiro ato. Algo que Taxi Driver, Rei Da Comédia, Laranja Mecânica (de certa forma) também não executam. Provavelmente a ironia é a forma de reflexão sobre violência. Se não tomarmos cuidado, cairemos no mesmo buraco.

     

    ________

    Escute nosso PODCAST no: Spotify | Google Podcasts Apple Podcasts | Android | RSS
    Entre para o nosso grupo no facebook AQUI
    Curta nossa página AQUI
    Siga-nos no instagram@sitecanalclaquete
    .
    .
    .
    Como TARANTINO filma uma cena?