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Capitã Marvel | Crítica

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Por Luísa Newlands

Quem acompanha minhas críticas sabe que eu sou muito fã da Marvel. Não li os quadrinhos, mas acompanho todos os filmes desde o início do Universo Cinematográfico e trato o estúdio como um afilhado que vi crescer. Mas, como toda boa madrinha, não faço apenas de elogios para não mimar a criança. Ao longo desses doze anos de MCU tive algumas críticas à condução da construção da narrativa do universo, mas principalmente à inexistência de super-heroínas protagonistas.

 

Em 2012, Scarllet Johansson deu vida à maravilhosa Viúva Negra, mas ainda sim era uma única mulher no meio de uma horda de homens. Em Era de Ultron fomos apresentados à Feiticeira Escarlate; em Guardiões da Galáxia à Gamora, Nebula e Mantis; Sif e Valkyrie em Thor; Hope van Dyne em Homem Formiga e a Vespa; Shuri, Nakia e Okoye em Pantera Negra (que trio!); e diversas outras personagens femininas nas dezenas de filmes do estúdio. Porém, nenhuma dessas heroínas foi protagonista em algum dos filmes citados.

 

O projeto do filme da Capitã Marvel chegou no momento certo: a ausência do protagonismo  de heroínas incomodava o público feminino do estúdio. Depois do sucesso estrondoso de Pantera Negra, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme e saiu da premiação com três estatuetas na mão, a Marvel não podia mais ignorar a importância dos filmes representativos. Importante ressaltar que Carol Denvers não é exatamente um exemplo de representatividade – Brie Larson é branca, loira e magra – mas é a primeira mulher a protagonizar um longa dos Estúdios Marvel e isso já é muito importante.   

 

A Capitã Marvel não é tão famosa na cultura pop como Mulher Maravilha, mas não deixa de ser um filme com um viés tão feminista quanto. Carol é uma mulher, e como toda mulher, desde criança ouvia que não seria boa em atividades “de meninos”. Mas não é a opinião alheia que a faz desistir dos seus sonhos de ser pilota do exército. Em nenhum momento a personagem aceita ser subestimada, e a cada sequência que ela se prova capaz, senti meu coração aquecer.

 

Mas não é só por trazer uma super-heroína extremamente poderosa que a Marvel acertou. Sabemos que o estúdio tem uma fórmula de bolo na produção dos seus roteiros, o que faz com que eles tenham todos uma estrutura semelhante. Com a preparação para a Fase 4, a Marvel tem buscado subverter a lógica que criou, trazendo plot twists e finais realmente impactantes (Guerra Infinita não me deixa mentir) e narrativas não-lineares. O roteiro de Capitã Marvel é linear, mas bem diferente do convencional. Até metade do filme, ainda não fica claro em que momento da linha do tempo a história se passa.

 

O roteiro fora do convencional funciona ainda melhor com a montagem assinada por Debbie Berman (que também editou Pantera Negra) e Elliot Graham. O ritmo do filme é excelente e as idas e vindas na linha do tempo não ficam confusas. A melhor sequência do filme, e também a mais “girl power”, é fruto de uma excelente montagem nos minutos finais do longa.

 

Em geral os filmes da Marvel não tem trilhas sonoras tão expressivas, salvo Pantera Negra (que levou o Oscar na categoria esse ano) e Guardiões da Galáxia, que aposta mais em canções oitentistas do que em originais. Capitã Marvel é um filme passado nos anos noventa e adotou o mesmo recurso do longa de James Gunn para criar uma identificação público com o período retratado. A direção de arte também aposta muito em ícones pop do período: lojas da Blockbuster, computadores de tela com tubo e internet discada são algumas das referências que tiram gargalhadas do público.

 

Uma das minhas maiores surpresas foi o elenco. Eu não sabia que Jude Law estava escalado e vê-lo no elenco principal foi uma surpresa bem agradável. E como o filme se passa nos anos noventa, muito antes da Iniciativa Vingadores, da batalha de Nova York e da queda da S.H.I.E.L.D., assistimos também Nick Fury e Agente Coulson no começo de suas carreiras.

 

Falando em Iniciativa Vingadores, é explicado também nesse filme como surgiu o projeto e porque leva esse nome. Capitã Marvel poderia ter sido lançado antes mesmo do primeiro filme dos Vingadores para uma lógica temporal, mas criaria alguns furos por causa do sumiço de Carol nos demais filmes.

 

Por mais inovador e divertido que Capitã Marvel seja, a maior força do filme é o legado que deixa para as meninas: não deixe ninguém te subestimar. Carol é poderosa, mas antes disso é extremamente valente e persistente. Assim como sai contemplada da sessão de Mulher Maravilha, sai realizada da sessão de Capitã Marvel. Demorou um pouco, mas o universo dos heróis finalmente entendeu que as meninas também podem salvar o mundo.

 

Obs 1: O filme tem duas cenas pós-créditos. A primeira, logo depois dos créditos iniciais, é FUNDAMENTAL para a conexão com o Universo Marvel atual. E provavelmente tem mais impacto que o filme todo.

Obs 2: Capitã Marvel é o primeiro longa a ser lançado após a morte de Stan Lee e faz algumas homenagens muito emocionantes ao diretor do Estúdio. Provavelmente Vingadores: Ultimato será a última vez que o veremos nas telonas com as suas participações icônicas 🙁

 

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