O documentário dirigido por Di Florentino e com pesquisa e roteiro de Sabrina Demozzi narra as influências das mídias sociais no ativismo político. Para ser mais exato, a partir das – vergonhosas – manifestações de 2013 (a qual participei e não me orgulho).

Utilizando imagens de arquivos e um videografismo dedicado a fim de gerar efeitos visuais para reforçar os trechos inseridos (uma vez que não há entrevistados) o filme alcança o que é mais comum em obras de ficção: a ironia dramática. Isso consiste em dar uma informação para o expectador que os personagens não sabem. Logo Moro, Joice Hasselmann, Deltan Dallagnol e Kim Kataguiri são narrados como íntegros e heróis…mas o futuro mudará isso.

Por isso é plausível encarar os movimentos de 2013 como contra a corrupção, assim como o surgimento de líderes para engajar os protestos. Até ali, em sua maioria, esses personagens estavam resguardados pelo posicionamento crescente no país de indiganação.

Ao escolher traçar um olhar sobre tal período, Florentino consegue ser inventivo e possibilita uma narrativa fluida uma vez que quase todos os quadros do documentário possuem alguma alteração.

O problema é que, em primeiro lugar, o filme esquece (ou ignora) pontos importantes desse período. Por exemplo, é mostrado toda a hipocrisia do corrupto Aécio Neves em se pintar como íntegro e contra a presidente vigente da época Dilma Rousseff. Porém, não vemos sua contribuição para articulação do processo de impeachment e não respeito pelo resultado das eleições (algo que o próprio Tasso Jereissati já assumiu). A imagem de vilão fica a cargo do Eduardo Cunha. O que resulta em suavizar a imagem perversa do político, pois é visto somente como oportunista.

Também é possível notar a falta de um olhar para o cenário político. Se por um lado o presidente atual do Brasil, Jair Bolsonaro, é apresentado a partir de declarações genocidas razoavelmente conhecidas…os membros do MBL não possuem um julgamento tão necessário assim. Por isso, não é possível, pelo documentário, colocar um peso tão negativo no grupo (que deveria ser o contrário).

Isso acontece porque o filme que tinha como objetivo questionar as redes sociais (e acerta de forma interessante em olhar para as fake news) acaba se apropriamento muito do cenário político sem fazer um julgamento tão profundo de todos os players desse cenário (somente dos principais).

E voltando a refletir sobre a ironia dramática, é curioso ver como algumas figuras como Sergio Moro, Joice Hasselmann, Deltan Dallagnol e Kim Kataguiri se sentiriam vendo as próprias imagens do passado: antes poderiam ser visto como heróis, agora seus gritos e posturas íntegras podem soar como imbecilidade.


De qualquer forma, Pulsão é uma obra interessante pela simplicidade da produção e uso na medida certa do videografismo. Se por um lado não apresenta riqueza no olhar político, acerta em apresentar importância na comunicação das redes sociais. Algo que foi primordial para a conexão entre pessoas descontentes com o momento do país e fomento de notícias mentirosas por parte da direita brasileira e a oposição parece não compreender. 

Mas ainda há tempo.

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