Por Clara Lima

Não seria exagero dizer que, se você já viu qualquer filme adolescente da Netflix, você já
viu um pouco de Dançarina Imperfeita (Work It, no original). O coming-of-age de Laura
Terruso é limitado pelos padrões de narrativa que já vimos um milhão de vezes — e, nos
últimos anos, vimos ser produzidos incansavelmente, como se os jovens assinantes da
Netflix tivessem uma necessidade patológica de consumir clichês adolescentes.
Apesar de previsível, não posso dizer que não é cativante.

A dupla protagonista surpreende pela qualidade do trabalho: Sabrina Carpenter convence no papel de alguém que não sabe dançar, enquanto Liza Koshy personifica todo o carisma do filme — é impossível tirar os olhos dela quando está em cena, emanando um talento nato para a comédia. Seu ponto fraco em questão de performance é Keiynan Lonsdale, que parece ter dificuldade em trazer o pseudo-vilão Juilliard à vida sem torná-lo uma caricatura de Regina George. Dançarina Imperfeita sabe qual caminho seguir quando se trata de imagética: uma referência sutil à LaLa Land nos deixa mais apegados ao casal Jake Taylor (Jordan Fisher) e Quinn Ackerman (Carpenter). Talvez uma forma de nos compensar pela decepção romântica que foi o quase melhor filme de 2017, quem sabe?

Apesar de corrido, hipnotiza do início ao fim. É um convite para se perder na romantização
da arte que, ignorando alguns detalhes técnicos do que é dançar e pecando pelas
transições brutas que escondem o real trabalho duro de uma equipe que foi do zero ao
topo, nos implora para viver o agora. Às vezes, precisamos de uma overdose esperançosa
de clichês.

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