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Sinopse

JoJo (Roman Griffin Davis) é um garotinho alemão de dez anos que, após a morte da irmã e a partida do pai para guerra, se vê sozinho com sua destemida mãe, interpretada por Scarlett Johansson. Solitário, o menino passa boa parte do seu tempo papeando com sua versão imaginária e idealizada de Hitler (interpretado pelo próprio diretor do longa, Taika Waititi).

 

“JoJo Rabbit” lembra, em alguns aspectos narrativos, “Autocrítica de um cão burguês” (2017), filme alemão em que o próprio cineasta (Julian Radlmaier), autodeclarado comunista, se insere na trama para refletir sobre seu posicionamento ideológico, expondo, pelo humor, suas e outras contradições e provocando no espectador muitas reflexões. De forma parecida, “JoJo Rabbit” traz seu próprio realizador para dentro da narrativa e se ampara na comicidade e fantasia para explorar certos ideais políticos de forma crítica.

E as semelhanças param por aí. Isso porque a intenção do filme é, antes de tudo, recordar o regime nazista pelo que ele foi: um estratégico falseamento de informações (oi, fake News), unido ao enfraquecimento do pensamento subjetivo, para legitimar um poder político. Além de um trauma mundial marcado sobretudo por uma covarde e desumana perseguição antissemita.

No acampamento da Juventude Nazista, JoJo é logo cativado pela apresentação infantilizada do líder local, o capitão Klenzendorf (Sam Rockwell). Atirando debilmente em todas as direções, sem razão nenhuma, a cena remete a uma sequência específica – que de fato ocorreu – de “A Lista de Schindler” (1993), na qual o oficial austríaco Amon Goeth (Ralph Fiennes) atira e mata de sua sacada diversos prisioneiros judeus que trabalhavam à distância no campo de concentração, como que em uma brincadeira sádica e atroz.

Scarlett Johansson and Roman Griffin Davis in Jojo Rabbit (2019)

Logo no início do longa, inclusive, o nazismo já é associado a um fanatismo delirante quando intercala imagens de fãs dos Beatles com outras de apoiadores nazistas, uma óbvia comparação entre a alienação da beatlemania e a histeria nazista. Essa abertura já nos localiza em relação ao tom debochado e ao evidente posicionamento crítico presentes em todo o decorrer da narrativa. No Brasil, compreende-se bem esse tom. No início do longa brasileiro “Tatuagem” (2013), o protagonista Clécio (Irandhir Santos) – responsável por organizar peças de humor que contestavam a censura na ditadura militar – anuncia: “[…] a nossa arma é o deboche”. Deboche aqui como saída ética para suportar o absurdo e lutar contra ele simultaneamente.

Em meio a uma homogeneidade proposital, não há muita distinção individual em “JoJo Rabbit” senão pelas personagens femininas. Em um momento cômico de encontro entre os militares nazistas, o grupo realiza a saudação hitlerista diversas vezes em segundos. É um comentário crítico de Waititi, que se serve desse gesto automatizado de “Heil, Hitler” para entregar o caráter irreflexivo e padronizado dos seguidores do líder nazista.

Elsa (Thomasin McKenzie) é uma personagem que faz o contraponto a esse projeto padronizador quando menciona sua paixão pelo noivo, cita o poeta Rilke e quando dança em um momento musical. São exemplos que servem para legitimar a arte e o amor como dois pilares fundamentais para construção de uma subjetividade saudável.

Há uma nobreza moral, ainda, na personagem Rosie. Em algumas sequências em que ela interage com o filho, por exemplo, há um mesmo enquadramento que se repete. Trata-se de um plano de seus pés inquietos, sempre um nível acima do menino, como na cena em que JoJo recebe uma massagem ou em um passeio, no qual o menino anda pelo chão enquanto a mãe caminha em uma superfície mais alta.

Até em uma circunstância particularmente dramática, em que os pés de Rosie surgem no ar, como se representassem alguém de espírito elevado. No filme, há uma fenda que se abre e permite um contato humanizado com um período lastimável da História, e é nela que reside o verdadeiro encanto da narrativa.

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