Eu gostei do filme, mas o crítico não. Quem está certo? | Fora de Cena 03

Por Pedro Amaro

Esse é o impasse que mais causa divisão na relação crítico-público. Não vou entrar no mérito do dever na crítica, pois isso me tomaria grande parte deste texto. Vou somente apontar algumas características.

A resposta é: os dois e nenhum dos dois.

Motivo?

São questões diferentes. A crítica deve julgar, sim, se o filme é bom ou ruim, desde que seja feita de maneira concreta e com argumentos sólidos.

A imparcialidade não existe!

Mas, de forma alguma, deve sacramentar se você deve ou não gostar do filme, ou, o que julgo mais problemático, questionar o seu intelecto enquanto espectador.

Não há problema algum em gostar de filmes que o crítico acredita ser duvidoso. Ele jamais deve tentar discutir o seu gosto. Até porque isso é totalmente subjetivo.

Como diria Pablo Villaça:

“Se alguém diz gostar de Transformers 4 ou de É Fada!, por exemplo, eu não tentarei convencê-lo de que está “errado” – e nem poderia fazê-lo, já que há apenas um especialista acerca de nossos gostos: nós mesmos.”

Ninguém é burro ou inteligente por gostar dessas obras. Não são apenas elementos técnicos e narrativos que determinam seu apreço pelo que foi exibido. A atenção do espectador pode ser capturada, por exemplo, pela simpatia com o ator ou atriz, ou nostalgia.

O argumento que deve servir de base na afirmação da excelência ou descartabilidade de um filme faz a discussão entrar no campo concreto (empírico, verificável, provável) para ilustrar as opiniões de cada um. Aqui, põe-se de lado a subjetividade e as paixões o máximo possível.

Mesmo assim, jamais tentarei te convencer ou mostrar que está errado; apenas apresentarei meu conhecimento e visão sobre o assunto, até porque acho desnecessário tentar convencer alguém de algo em um debate. Soa como discussão política, ou de futebol.

Além de soar arrogante.

Ninguém será convencido sem não se permitir. Nem o crítico, e nem o espectador.

Vale lembrar que a crítica francesa não gostava dos filmes (até certa parte) de Sergio Leone. Figuras como Jacques Bontemps escreveram o seguinte:

“Leone não tem critério nas composições visuais, os atores são histriônicos, a ação física é ampliada ao máximo e os assassinatos numerosos acabam reduzidos a signos sem qualquer carga afetiva”. Por uns Dólares a Mais não passa de um “buquê de flores artificiais””

Caso você conheça minimamente Leone, teria coragem de afirmar isso? O filme não mudou, são reconhecidos estudos, e o diretor se tornou um mestre. A crítica não gostou, mas o público gostava.

Poderíamos observar outros casos, como o de Um Corpo que Cai, de Hitchcock, por exemplo. Mas vamos olhar o que Pauline Kael (na época, crítica do The New Yorker) disse sobre a estreia de Star Wars:

“Esse é um filme próprio do diretor e roteirista George Lucas, sem a interferência dos negócios, mas não tem interesse em nada que não se conecte com a audiência de massa. Não há respiro no filme, não há lirismo; a única tentativa de beleza é o pôr do sol duplo. É divertudo, em seus próprios termos, mas é exaustivo também: como levar um grupo de crianças para o circo.”

Hoje alguém afirmaria que gostar de Star Wars é errado?

Para finalizar, gostaria de lembrar que Scorsese defende a observação de todo tipo de filme. Porque não saberemos qual o “status” que esse filme terá no futuro.

E se os filmes podem mudar de patamar quanto à relevância, por que não as críticas daqueles que não gostaram?

Pense nisso.

Hey, cinéfilo, passa esse texto para quem pensa diferente de você.

 

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