10 Clássicos do Suspense que NÃO São de Hitchcock | Listas

Por Pedro Amaro

Quando escuto dicas, recomendações e discussões sobre suspense, sempre ouço o nome de Hitchcock. E não é para menos, o inglês é o mestre do suspense (na verdade só mestre já bastaria), e um dos diretores mais completos que já existiu.

Mas nesse artigo decidi fazer algo diferente.

Selecionei filmes clássicos de suspense que não são de Hitchcock (porém que são tão bons quanto ou até mais).

Obs.: Escolhi filmes que não são tão conhecidos assim. Logo, alguns títulos  ficaram de fora.

 

10 Armadilha Mortal

Quem gosta de teatro filmado vai adorar. É um suspense que não perde o ritmo em uma trama que se passa, em grande parte, em uma sala. Conta com a impecável e conhecida atuação de Michael Caine (Sidney Bruhl) e com Christopher Reeve (Clifford Anderson), que torna uma oportunidade de assistir o ator em uma boa performance fora de seu imortal personagem Clark Kent.

Na trama, acompanhamos a chegada de Clifford Anderson na casa de Bruhl (que é um dramaturgo conhecido, porém atualmente não realizou nada de sucesso). Anderson é desesperado pelo sucesso e mostra a única cópia de uma peça que pode se tornar um sucesso. Bruhl decide matar o jovem e roubar o seu trabalho, porém isso não será tão fácil quanto imagina.

A direção é de Sidney Lumet, ou seja, é obrigatório.

 

9. As Três Máscaras do Terror

Mario Bava foi o mestre do suspense/terror italiano (não é a toa que está com mais de um filme na lista). Esse filme nos apresenta três contos distintos de terror e suspense. Em poucos minutos, Bava cria uma atmosfera que prende nossa atenção para saber a solução da trama.

Em “O Telefone”, uma mulher é atormentada por um possível ex-amante que fugiu da prisão. No segundo episódio, O Wurdulak, uma família aguarda o retorno do patriarca, porém ele voltará diferente e causará o terror na vila. No último episódio, “O Pingo D’Água”, o espírito de uma condessa volta do além para cobrar um anel que lhe foi roubado nos preparativos de seu funeral.

Bava faz uma linda homenagem à era pulp, e ainda temos a atuação do lendário Boris Karloff.

Eu disse BORIS KARLOFF.

 

8. O Relógio Verde

Um editor de uma revista comete um assassinato sem ninguém saber que ele é o responsável. Quando seu melhor repórter tenta resolver o caso, descobre que todas as pistas apontam para ele próprio. É o melhor filme da carreira de John Farrow. O diretor nos brinda com Ray Milland (expert em suspense) e Charles Laughton (o magnífico que atuou em Testemunha De Acusação quase inteiramente no improviso).

É interessante observar a maneira a qual Farrow realiza um filme com claras referências à forma como Billy Wilder criava o suspense. Não temos aqui muita escuridão e sensação de tempo diminuindo. Pelo contrário, acompanhamos o personagem em uma busca de se salvar com os recursos do jornalismo.

7. Ascensor Para o Cadafalso

Florence Carala é casada com o milionário Simon Carala, mas apaixonada por outro. Ela decide matar o marido com a ajuda do amante Julien Tavernier. Planejado para parecer um suicídio, as coisas começam a dar errado quando Tavernier decide buscar uma corda no terraço e fica preso no elevador.

É o filme que lançou Jeanne Moreau. Distoa da linguagem hollywoodiana de construção de suspense, mas assume suas características de gênero policial que era próximo da Nouvelle Vague (que em breve ganharia força).

Além disso, pode ser a porta de entrada para conhecer Louis Malle, diretor que possui uma filmografia de sucesso.

 

6. Um Vida Por Um Fio

Particularmente, considero o melhor filme de Anatole Stanwyck, e um dos melhores da categoria noir. Costumo dizer que a obra é injustiçada por não possuir o mesmo reconhecimento de Pacto de Sangue. Stanwyck constrói um nível de tensão que cresce gradativamente para impactar com um final que pode-se considerar incomum para o seu período.

É a adaptação de uma peça de rádio escrita por Lucille Fletcher que conta a história da solitária Leona Stevenson (Barbara Stanwyck). Adoentada e confinada a uma cama, ela passa as noites à espera do marido. Certa vez decide ligar para o trabalho dele, mas acidentalmente entra numa linha cruzada. Na conversa que ouve, dois homens planejam um assassinato. Desesperada, Leona tenta descobrir quem é a vítima e assim evitar o crime.

Por favor, vejam esse filme!

 

5. A garota que Sabia Demais

Nora sai pela noite em busca de ajuda para sua tia acabara de falecer, de repente se torna uma testemunha ocular de um assassinato. Nora não consegue fazer qualquer um acreditar em sua história. Porém, com a ajuda do Dr. Marcello Bassi, fica sabendo que um assassinato ocorreu nesse mesmo local há 10 anos atrás, quando Emily Craven foi vítima do “assassino do alfabeto”.

Após isso, pode esperar um bom nível de thriller, trama bem elaborada e uma das maiores cenas de suspense que Bava já realizou.

Bava foi um verdadeiro mestre e precisa ser revisitado sempre que possível.

4. Rififi

Tony Stephanois acabou de sair da prisão e resolve juntar seus colegas, Jo e Mario, no planejamento de um ambicioso assalto a uma joalheria. Cercado de uma execução meticulosa, as coisas começam a dar errado quando um dos integrantes do grupo comete um erro no momento em que tudo estava quase terminado.

É um dos grandes clássicos do cinema francês e o maior filme de Jules Dassin. Junto com Bob, o Jogador, foi percursor do cinema policial moderno, influenciando filmes como Cães de Aluguel, Onze Homens e um Segredo e O Grande Golpe (de Kubrick).

E o melhor ponto do filme: uma sequência de quase 30 minutos sobre o roubo dos criminosos.

Ah, um detalhe: François Truffaut disse que esse foi o melhor noir que já assistiu.
Precisa falar mais?

 

3. Jogo Mortal / Trama Diabólica

Um cabeleireiro, Milo Tindle (Michael Caine), e um escritor de histórias de mistérios, Andrew Wyke (Laurence Olivier) têm algo em comum: a mesma mulher. Enquanto o primeiro é um amante apaixonado, o segundo o um marido. Wyke propõe ao amante da sua mulher, Tindle, que este roube suas jóias e as venda para um receptador de confiança. O problema é que um planeja enganar o outro em uma trama impecável.

Um filme simples com uma trama simples. O motivo de gostar dessa obra é a forma como ela surpreende o expectador. O roteiro consegue tomar caminhos imprevisíveis com – praticamente – dois atores em cena.

Joseph L. Mankiewicz é sempre lembrado por A Malvada, mas realiza aqui um thriller psicológico de primeira, sem dúvidas é um dos melhores filmes do gênero.

Michael Caine retorna com o seu charme inglês aqui.

Quer ser surpreendido? Veja esse filme!

 

2. Um Clarão nas Trevas

Susy ficou cega após um acidente. Enquanto está fora, seu apartamento é invadido por três criminosos à procura de uma boneca com heroína. Acontece que durante um voo, Sam (seu marido) aceitara segurar a boneca para uma mulher que desaparecera em seguida. Os invasores são cúmplices da mulher, que a encontraram morta no andar de baixo do prédio. Agora, eles se fazem passar por policiais e amigos de Sam e inventam uma investigação sobre homicídio em que somente a boneca pode salvá-lo.

É um de meus filmes favoritos de suspense. Ele é direto ao ponto e não perde o seu nível e tensão com o expectador. Terence Young realiza aqui uma verdadeira obra prima. Um ótimo roteiro que nos envolve magicamente.

Está se perguntando se deveria assistir? Motivos:

Não perca tempo! Vai logo!

Ótimo roteiro

Ótimo suspense

Ótima mise en scène

Uma mulher forte

E Audrey Hepburn!

 

1. As Diabólicas

Me perguntei muito se deveria colocar esse filme aqui. Talvez ele seja conhecido demais para entrar na lista, mas decidi arriscar pois se trata do melhor filme de suspense europeu.

Christina é uma rica herdeira, proprietária e professora de um colégio, cuja administração é de seu marido, Michel. Ele dirige o colégio com mãos de ferro, bate na mulher, a humilha, serve comida estragada no refeitório, é odiado por todos, além de ser amante de Nicole, uma das professoras. Nicole procura Christina e lhe diz que ele só se casou com ela pelo seu dinheiro e sugere um plano para, juntas, assassiná-lo.

Para você ter uma ideia do roteiro do filme, ele coloca metade das obras de Hitchcock no chão (calma, pessoal, sou fã do Hitch). Clouzot foi um verdadeiro mestre do suspense. Uma pena ter vivido durante grande parte de sua vida sob a sombra de Hitchcock.

Independente disso, essa obra conquistou – mundialmente – respeito entre os profissionais do cinema (inclusive Hitchcock).

O nível de suspense vai crescendo (algo que lembra Psicose) na medida que o roteiro conduz a narrativa para surpreender o público. Uma verdadeira aula.

Eu desafio você a não gostar do filme.

 

 

Os três selecionados a seguir são interessantes também, e merecem entrar em sua lista. Talvez sejam um tanto “inferiores” ou conhecidos demais para figurarem na parte principal deste artigo; mas ainda assim, valem a pena.

 

1. Trama Diabólica

Na pequena cidade de Solvang há um assassino à solta. Emily, enfermeira, cuida da ama de infância do seu marido Warren, uma idosa presa a uma cadeira de rodas. Porém, os cuidados desta enfermeira são mortais. À medida que se aproxima da verdade, a meia-irmã de Warren desvenda um arrepiante mistério da cidade… e o segredo mais soturno da sua família.

Possui um bom nível de suspense e plano interessantíssimos. Contudo, o mais significante nesse filme é o seu ato final e a bela homenagem a um certo filme da época.

[Não posso falar mais, do contrário a surpresa perderá a graça]

 

2. O Assassino mora no 21.

O investigador Wenceslas Wens é designado para esclarecer o caso de um serial killer que deixa cartões de visitas a suas vítimas. A amante do inspetor, a atriz carreirista Mila Malou, resolve se promover, ajudando o amado. Wens prende suspeitos, mas os crimes continuam acontecendo.

Mais um filme do Clozout. A trama é simples e o nível de suspense é satisfatório. O que vale destacar é como os fatos vão sendo desenvolvidos pouco a pouco no roteiro para concluir quem é o assassino.

Clozout é um de meus diretores favoritos. Ao terminar cada filme, a vontade que dá é colocar outro logo em seguida.

3. Charada

Em Paris a americana Regina Lambert (Audrey Hepburn), que recentemente ficou viúva, tenta entender que tipo de vida o marido levava e onde podem estar escondidos US$ 250 mil. O que ela não sabe é que alguns acreditam que ela está com o dinheiro.

Charada é tão interessante que entraria facilmente na lista principal. Contudo, acredito que muitos o conhecem, por isso deixei nas menções honrosas.

O filme é a prova que é possível construir um bom suspense com um humor. Diferente de Hitchcock, Stanley Donen cria várias sequências para gerar empatia de seu roteiro com o público.

Muito interessante e bem construído. Além da química de Cary Grant e Audrey Hepburn.

 

FIM!

 

Amigos, essa foi a nossa lista. Espero que tenha gostado.
E se você possui algum amigo que gosta de um bom suspense, envie para ele!
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