Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood | Apenas Nostalgia | Crítica

1h 40 min – Comédia / Musical – 2017
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Roteiro: Mauro Lima
Com: Renato Aragão, Dedé Santana, Alinne Moraes

Por Julie Nunes

 

Não há como falar em Saltimbancos sem mencionar o sentimento nostálgico arrebatador que Os Trapalhões, de forma geral, e seu filme de 1981 evocam. Esse primeiro longa, baseado na peça de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, com adaptação para o português feita por Chico Buarque, possui algumas das canções mais clássicas que permearam a infância de muitos como “Piruetas”, “ Meu Caro Barão” e “História De Uma Gata”, e são verdadeiras relíquias, mas além de excelentes composições também havia um elenco divertidíssimo que contava com a formação completa dos Trapalhões: Lucinha Lins, Mario Cardoso e Paulo Fortes. Em 2014 foi lançada para o teatro uma versão montada por Charles Möeller e Claudio Botelho, contudo, esse projeto é bastante diferente do longa de 1981 e é baseado nesta obra que surge o mais recente nomeado “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”.

 

Sua trama apresenta um circo que se encontra em decadência, onde os números perderam espaço para os eventos lucrativos como leilões, e graças ao vilão Satã estão prestes a serem extintos por completo; mas com a ajuda do sonhador Didi e seus amigos isso será mudado por meio de um novo espetáculo escrito por ele. Nesse trabalho dirigido por João Daniel Tikhomiroff e roteirizado por Mauro Lima encontramos personagens do filme original, alguns repaginados e outros novos como é o caso de Letícia Colin, que interpreta Karina, mas o propósito exposto é bastante claro: uma homenagem a Renato Aragão, antes de mais nada, e sutilmente também aos outros colegas de trabalho que o acompanharam por muitos anos.

 

 

Seu roteiro, uma fiel adaptação da peça, peca na falta de inspiração em suas piadas – que bem pouco soam como as tiradas tão geniais de antigamente – e em insistir em realizar um discurso panfletário pouco trabalhado e repetitivo sobre a não-existência de animais no circo embora o equívoco mais grave seja dar tamanho destaque à figura do personagem Didi e quase nenhum espaço para os verdadeiros artistas que realizam todos os números circenses que compõem o longa, revelando assim a rasa consciência daqueles que se envolvem na concepção do projeto.

 

Já a direção de João Daniel Tikhomiroff, também conhecido pelo longa “Besouro” e as séries “A Garota da Moto” e “O Negócio”, é bastante pasteurizada, chegando a ser ineficaz ao tentar criar planos que trouxessem a magia do circo para a tela deixando a responsabilidade para o departamento de arte que consegue acertar, mas não é valorizada. O longa é frágil em sua estrutura criando mais arcos do que parece ser capaz de resolver e dando soluções pouco elaboradas, como a mudança de posicionamento da personagem Tigrana (Alinne Moraes), e ainda que tenha em mãos canções fantásticas, acaba não fazendo uso de todo o potencial desse recurso.

 

O filme possui alguns poucos momentos de diversão e estes se acumulam em seus primeiros minutos de projeção, mas infelizmente não consegue se sustentar por si só e muito menos se comparado com seu antecessor.

Poster Oficial

 

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