The OA | 1ª Temporada | Crítica

8 Episódios – Drama
Criadores: Zal Batmanglij, Brit Marling
Direção: Zal Batmanglij
Com: Brit Marling, Jason Isaacs, Scott Wilson

Por Isac Ness

Coisa alguma é boa o suficiente se precisa de um post scriptum para ser compreendida. Isso se aplica, obviamente, ao cinema, à TV, e agora aos serviços de streaming que produzem conteúdo original. Versões estendidas e edições com corte do diretor devem ser apenas anexos para os cinéfilos mais aficcionados. Este material, portanto, deve ser um complemento que faça a obra original ser espetacular, e não uma desesperada tentativa de resgatá-la da ruína. Até mesmo sequências, sem as quais é impossível apreciar o primeiro filme em sua plenitude, são uma afronta à sétima arte.

“The OA”, nova série original da Netflix criada por Zal Batmanglij e por Brit Marling (que também a protagoniza), faz o inverso disso. Inúmeros trailers, marketing agressivo, sinopse concisa, segunda temporada agendada…. Tudo isso é dispensável para atrair ao primeiro episódio e fixar até o oitavo e último. É uma obra autossuficiente, coisa que em tempos modernos, onde temos filmes com universos compartilhados entre si e uma ostensividade de marketing que chega a ser tão custosa quanto a própria produção, é raríssima.

Preirie (personagem de Brit Marling) era uma jovem cega filha de um cuidadoso casal que muito a amava. Certo dia, a garota desaparece sem mais nem menos e retorna só depois de sete anos. E o mais impressionante: com sua visão restaurada.

Daí em diante a série se torna uma narrativa dentro de outra, uma vez que a protagonista se propõe a contar o que se passou com ela ao longo do tempo em que esteve desaparecida e ao mesmo tempo acompanhamos a evolução dela e das pessoas com quem ela se conecta, agora que está de volta ao seu lar.

Flertando com o sci-fi e o fantástico, The OA se assemelha muito a outro título da Netflix, “Stranger Things”. Além disso, ambas contam a história de uma forte protagonista feminina incompreendida, vinda de um lugar misterioso e que é ajudada por seus novos amigos. As semelhanças, no entanto, acabam por aí. Enquanto “Stranger Things” narra uma aventura spielberguiana, a outra propõe uma viagem menos literal, mais para dentro do ser. Talvez eu peque por simplicidade, mas é quase seguro dizer que “The OA” é a versão “mais adulta” de “Stranger Things”.

Apesar da bela proposta, montagem excepcional e uma trilha sonora memorável, o roteiro peca amadoramente diversas vezes. No que diz respeito à parte da aventura e fantasia tudo é muito coeso, mas nos três últimos episódios percebe-se uma certa urgência em ligar os pontos da trama principal em detrimento da solução de problemas dos conflitos paralelos e secundários. Neste “último ato” da produção, certos detalhes foram simplesmente ignorados pelos roteiristas que mostram esses conflitos minoritários já solucionados nos episódios seguintes, o que é extremamente incoerente pela gravidade de alguns deles.

Certas decisões estéticas da direção também podem não agradar aos mais apaixonados ou atentos a este quesito. No começo da série temos belos planos aéreos de paisagens singulares, enquanto no ápice do último episódio, na grande revelação do mistério, não há nada fotográfica, significativamente belo e a responsabilidade pelo deságue de emoções fica com a trilha sonora e o apego que desenvolvemos pelos personagens.

The OA, portanto, conquista o coração, mas deixa desejar ao intelecto. Por isso o que mais se ouve quando a série é recomendada é: “veja de mente aberta”, conselho este que faz muito sentido, já que esta incrível obra trata-se de uma experiência de sentidos e uma reflexão sobre as relações humanas. Não se deve esperar deslumbre na cinematografia, muito menos um roteiro maduro. É um mergulho em emoções e pequenas histórias, alegorias simples e que vão de encontro direto com a experiência de vida de quem assiste.

 

Poster Oficial

 

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