Um Homem de Família | Redenção Previsível | Crítica

Por Luísa Newlands

1h 48min – Drama – 2017
Direção: Mark Williams
Roteiro: Bill Dubuque
Com: Alison Brie, Gerard Butler, Willem Dafoe

 

Confesso que entrei em pânico nos primeiros dez minutos de “Um Homem de Família” e minha vontade era desistir do filme antes mesmo de começá-lo.

Isso porque, na sequência inicial, somos apresentados a Dane Jensen (Gerald Butler), um recrutador (headhunter, “caçador de cabeças” em termo literal) de uma grande empresa em Chicago. A construção do personagem já me deu certa aversão porque desconheço qualquer empresa semelhante no Brasil e, até a primeira meia hora do filme, eu não conseguia entender direito com o que o protagonista trabalhava. Somado a isso, em inglês extremamente rápido (daquele que não dá pra ler a legenda inteira e já muda de frase), Dane dá longos discursos sobre o mercado de trabalho e a crise que assola os Estados Unidos desde 2008. Resultado: tive a impressão de assistir um prequell de A Grande Aposta.

Porém, passado o choque e as primeiras cenas, somos transportados à vida pessoal de Dane: ele é casado e pai de três filhos. A família aparentemente vive bem, mas a relação do protagonista com a sua esposa, Elise (Gretchen Mol), não está em seus melhores momentos. Enquanto Jensen cresce no trabalho, se afasta cada vez mais da mulher, tratando-a como uma funcionária de baixo escalão em discursos pouco naturais. Os filhos também sofrem com o afastamento do pai, vendo-o poucas vezes por dia.

É fácil criar uma empatia com o filme a partir de então. Crescer com pais que passam bastante tempo fora de casa é uma realidade extremamente comum, mesmo que, nesse caso, Elise não trabalhe e passe o dia em função dos filhos. Porém, com a primeira reviravolta, vemos que a estrutura da família não é tão sólida quanto parece.

Quando o primogênito do casal, Ryan (Max Jenkins), é diagnosticado com câncer, Dane se vê dividido. Por um lado, precisa passar mais tempo com os filhos – afinal, parte da culpa pelo diagnóstico tardio é a ausência do pai -, mas, por outro, é a única fonte de renda para a família. Também é importante lembrar que Dane, além de workaholic, é pretensioso e maquiavélico. Ele gosta muito do seu emprego e a oportunidade de promoção faz com que práticas ilícitas tenham alguma justificativa.

Aos poucos, o personagem de Dane vai evoluindo e assistimos, de forma previsível, sua tentativa de redenção para com a família. A evolução emociona, mas não é nada diferente do que já esperamos desde que o filho é internado. Dane precisa passar por uma situação extremamente difícil e dolorosa para perceber que suas atitudes eram nocivas às demais pessoas.

A construção do personagem lembra um pouco discursos de religiosos sobre ateus: “quando você estiver passando por um grande sofrimento, irá acreditar na existência deus”. Diálogos aleatórios e pouco naturais entre o protagonista e o filho sobre as forças divinas remetem ainda mais a esse discurso. A cena, que poderia ser uma das mais bonitas do filme, parece retirada de um trecho da Bíblia e refilmada no Millenium Park em Chicago. Ainda assim, o filme não tem uma pegada religiosa, visto que a redenção de Dane é totalmente intrapessoal.

Na verdade, é o grande destaque do longa é a atuação de Max Jenkins. O menino, que já tem Sense8 no currículo, é uma aposta da nova safra de futuros grandes atores de Hollywood. A atuação de Gerald Butler também é boa, mas não é tão cativante quanto do filho.

A direção do filme é bem quadrada e dentro do padrão. O que chama atenção é a fotografia, mas não pelos planos, que não saem do óbvio em momento algum. As imagens são agraciadas pelos belíssimos prédios de Chicago, tornando a cidade quase um personagem da trama. Nas mesmas cenas em que os prédios clássicos da cidade mais populosa de Illinois estão em destaque, ocorrem os diálogos mais profundos e emocionantes.

Mas, por mais que a história seja comovente, no fundo é um pouco fraca e motivacional. Deixando claro – e de uma maneira até maniqueísta – o que é certo e o que é errado, Um Homem de Família afirma a que somente se tornando uma boa pessoa é possível salvar a própria família de desgraças.

Poster Oficial

 

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