TOC- Transtornada Obsessiva Compulsiva | Humor Simples | Crítica

1h 30min – Comédia – 2017
Direção: Paulinho Caruso, Teodoro Poppovic
Roteiro: Pedro Aguilera e Mauricio Bouzon
Com: Tatá Werneck, Bruno Gagliasso e Vera Holtz

 

Por Julie Nunes

 

Fazer rir certamente é uma das tarefas mais difíceis e subestimadas pois no riso existe uma reflexão, geralmente, social bastante aguçada e por vezes profunda que pode passar despercebida ao menos atentos. No Brasil o gênero, em diversos cenários distintos, é praticamente um sinônimo para uma robusta bilheteria, mas analisando as mais recentes produções há de se perceber uma fórmula cada vez mais engessada e repetitiva.

“TOC- Transtornada Obsessiva Compulsiva” conta a história da atriz Kika K(Tatá Werneck), que em busca de seu primeiro papel como protagonista, se vê imersa em incontáveis questões para atingir seu objetivo e ter que lidar com suas crises existenciais. A personagem não apenas sofre de TOC, mas ao se deparar com o vazio de sua vida começa a questionar as próprias escolhas, obviamente levando ao cômico e inusitado. O longa, inicialmente, conta quase que exclusivamente com sua atriz enquanto elemento cômico por si só, mas aos poucos consegue desenvolver melhor sua premissa e tornar a história mais elaborada e, de fato, divertida. Discorrendo sobre o real valor que damos aos nossos objetivos na vida seus diretores e roteiristas, Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic, exibem um bom domínio fílmico ao criar uma narrativa com um excelente ritmo e uma estética rica em combinações pop, dando um pouco de frescor ao desgaste que o gênero vinha tendo e agregando comicidade desde a mais inusitada até detalhes simples em seu roteiro, sendo bons exemplos o segmento onírico e as cenas aonde a personagem entra em um lapso por achar que deixou o gás ligado.

O roteiro é recheado de piadas, seus primeiros dez minutos tentam de qualquer maneira enxertar o maior número delas possível- em sua maioria completamente esquecíveis-  e dessa maneira nem sempre consegue atingir o objetivo, mas quando eles se propõem a desenvolver com mais cuidadas pequenas situações tem sua eficácia comprovada criando sequências inteligentes como a que toca a canção “Ouro de Tolo” de Raul Seixas.

Sua trilha sonora merece atenção por mesclar as músicas mais imprevisíveis dentro de contextos pouco comuns e também por criar uma unidade bastante específica, pois se há um mérito em “TOC” é sua criação de identidade que apesar de ter pontos em comum com algumas das comédias mais recentes lançadas também possui um avanço de linguagem. Teodoro Poppovic e Tatá Werneck apresentam algo que em muito pode remeter ao trabalho, de qualidade, que realizavam no programa televisivo “Comédia MTV” no que diz respeito ao tipo de humor e somado ao restante do elenco que conta com Vera Holtz como uma empresária, Luis Lobianco como um fã obcecado e Bruno Gagliasso como um galã viciado em sexo tudo se torna ainda mais engraçado. Contudo, no quesito atuação, quem realmente merece destaque é o ator Daniel Furlan que surpreende ao desempenhar seu papel de maneira tão precisa e natural.

Ao expor sua mensagem o filme consegue fechar seu roteiro sem muitos problemas se firmando enquanto uma boa comédia nacional do tipo que não se encerra ao sair da sala de cinema.

Poster Oficial

 

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