Taboo | 1ª Temporada | Crítica

Por Stephanie Espindola

08 Episódio
Criadores: Chips Hardy, Tom Hardy, Steven Knight
Direção: Anders Engström e Kristoffer Nyholm
Stars: Tom Hardy, Leo Bill, Oona Chaplin

 

Com tantas séries que retratam a era do colapso dos impérios, como trazer uma trama diferente e que, ao mesmo tempo, misture elementos fantásticos sem parecer um genérico de Game Of Thrones?

É dessa premissa que surge Taboo, provavelmente a maior aposta do canal FX (em parceria com a BBC) para o gênero. Com elenco de peso e a promessa de colocar em voga assuntos “pouco tratados” abertamente (tabus, por isso o nome da série), a produção de Tom Hardy (que aqui também protagoniza os episódios), Crips Hardy e Steven Knight chegou com grandes expectativas por parte do público.

A série se passa em 1814 quando James Keziah Delaney (Tom Hardy) retorna da África após ser mandado embora de Londres pela Companhia das Índias Orientais. Com uma coleção ilegal de diamantes, histórias sobre chacinas brutais, escravos, bruxaria e misticismo, o passado de Delaney se prova cada vez mais obscuro.

A volta do personagem a Londres se dá pela morte de seu pai que deixa como herança as terras de Nootka Sound, importantes para o comércio de chá e peles por toda a China. Esse pequeno pedaço de terra é de grande interesse da Companhia das Índias Orientais (e do Rei) e também dos Estados Unidos. O grande plot do seriado é a disputa pelas terras de Nootka Sound e o fato de Delaney não querer vendê-las (a não ser que ele ganhe o monopólio de chá da China).

Dentre toda a gama de personagens, conhecemos alguns principais para o bom andamento da produção. Brace (David Hayman), um criado que vive na família de Delaney há gerações; a irmã de Delaney, Zilpha (Oona Chaplin), a qual ele possui um relacionamento incestuoso; Sir Stuart Strange (Jonathan Pryce), o chefe da Companhia das Índias; Godfrey (Edward Hogg), escrivão da Companhia das Índias e que, em segredo, trabalha em um prostíbulo vestido de mulher; Dumbarton (Michael Kelly), fazendo o mesmo trabalho sujo que Doug Stamper, seu personagem em House Of Cards, só que em outra época; e Cholmondeley (Tom Hollander), um químico parceiro de Delaney.

Conforme a história toma forma conhecemos, também, os poderes místicos de Delaney, que são convenientes para ele e fundamentais para o andamento do roteiro.

O personagem consegue antecipar todos os acontecimentos ao seu redor sabendo cada passo de seus inimigos, o que torna fácil evitar problemas, fazer com que seus planos tenham êxito e se livrar de qualquer tipo de questionamentos dos telespectadores. Os poderes místicos de Delaney são adquiridos por sua passagem pela África (quando ele sobrevive a um naufrágio de um dos barcos da Companhia) e também de forma genética, pois sua mãe foi uma escrava comprada por seu pai em Nootka Sound (junto com as terras).

As visões que sua mãe teve uma vida inteira e os rituais que ela fazia no rio são semelhantes aos feitos por Delaney após sua volta da África. Seus poderes são tão fortes que ele consegue projetar sua alma para fora do corpo e visitar sua irmã Zilpha à noite (para consumar seu relacionamento incestuoso).

A narrativa do seriado se torna travada e cada vez mais confusa conforme novos personagens são adicionados à trama. Não bastasse os americanos, os ingleses e todas as outras pessoas da série que conspiram para arrancar a cabeça de Delaney a cada novo acontecimento, por volta do episódio 5 (a série possui APENAS 8 episódios) somos apresentados a  Lorna Bow (Jessie Buckley), uma esposa perdida do pai de Delaney e que também quer metade das terras de Nootka Sound.

Dentre os episódios finais também é inserida uma investigação sobre o naufrágio do barco de Delaney que tem menos de dois episódios completos para ser resolvida.

O grande problema de Taboo é que as narrativas paralelas atrapalham o progresso da narrativa principal. Apesar de ser visualmente estonteante e de conseguir apresentar por meio de seus cenários as grandes diferenças de classe, com uma Londres cinza e suja para os menos afortunados e vibrante e dourada para os Reis e membros da Companhia das Índias, uma fotografia impecável e o uso da trilha sonora como forma de condução do suspense, a trama fica amarrada à conveniência dos poderes de Delaney.

Conforme o seriado avança, os poderes se tornam cada vez mais importantes para que o personagem consiga escapar de todas as emboscadas em que é colocado. Quando algo sai errado ou alguém é ferido, atribui-se ao excesso de bebida ingerida por Delaney ou às suas alucinações.

Há também um grande oportunismo no roteiro por parte de todos os personagens e sua relação com Delaney. Facilmente, todos confiam na palavra do homem que é chamado de “O Diabo Delaney”. Mesmo com seu histórico de estripar pessoas, ser um bruxo, matar todos sem dó e nem piedade, todos aqueles que, de alguma forma, cruzam seu caminho, compram suas brigas e vão com ele até o fim.

É um anti-herói que não possui nenhuma motivação moral para agir da forma que age. Alguns personagens chegam a se tornar inúteis para a narrativa, como a própria Zilpha. Delaney jura amor eterno à irmã, a visita todas as noites em forma de projeção (bruxaria) e, quando finalmente consegue persuadir a irmã a matar o marido, não tem mais interesse nela. O resultado? Zilpha tira a própria vida. No que o arco dela serviu para o desenrolar dos acontecimentos principais? Absolutamente nada.

O ponto alto do seriado acontece no episódio 7, quando finalmente a guerra entre a Companhia, o Rei regente, os americanos e Delaney chega ao ponto máximo. A forma como o episódio é conduzido é impecável e todos os personagens são utilizados com inteligência, somando à narrativa principal. Infelizmente, nem esse episódio salva a péssima execução de Taboo.

Com diálogos mal elaborados (normalmente Tom Hardy fala apenas “hum” para a maioria das perguntas), personagens extremamente caricatos – os 3 principais articuladores dentro da Companhia das Índias mais remontam os três patetas do que de fato os grandes negociadores e comerciantes do século XIX –, o não fechamento de inúmeros arcos ao longo da trama e a falta de coerência na abordagem de algumas histórias, Taboo se perde na possibilidade de ser tão grande quanto seus concorrentes de outros canais.

Poster Oficial

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