Mulher-Maravilha | Filme que Ouviu os Fãs | Críticas

Por Julie Nunes

2h 21min – Ação / Aventura – 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg
Com: Gal Gadot, Chris Pine e Robin Wright

Há alguns anos as produções cinematográficas se voltam constantemente para os HQ’s , não que isso já não existisse, mas a notória intenção de cruzar universos e explorar outras perspectivas se deu na última década de maneira contundente. O atual patamar tecnológico também tornou a experiência – tanto para seus realizadores quanto para seus espectadores – cada vez mais elaborada e dessa forma os lançamentos de obras desse nicho são regidos por expectativas das mais diversas. Contudo este espaço é ainda pouco ocupado por mulheres em sua estrutura e ao pensar quantitativamente sobre essas produções é espantosa essa ausência.

Apesar de ser uma personagem bastante disseminada na cultura pop, Mulher Maravilha há muito não era de fato abordada, principalmente no audiovisual, sendo por vezes uma personagem que ficava às sombras de uma subcategoria que em nada fazia jus a sua dimensão.

Curiosamente o mesmo pode ser dito dos filmes realizados pela DC Comics que há muito, leia-se desde o bem trabalhado “Cavaleiro das Trevas” de Nolan, não conseguia sair de uma enfadonha repetição que em muitos momentos parecia buscar uma atmosfera vista nos filmes de Nolan, mas infelizmente chegando a um resultado sem coesão.

“Mulher-Maravilha” dirigido por Patty Jenkins surge com força e frescor e finalmente representa um acerto após tantas tentativas bastante desastrosas. Contando com uma estrutura narrativa clássica o longa se propõe a expor a origem de sua personagem e o faz de maneira cuidadosa ao encarregar dramaturgicamente essas cenas para atrizes como Robin Wright e Connie Nielsen, responsáveis por interpretarem Antiope e Hippolyta respectivamente.

Um grande acerto do roteiro é posicionar para seu espectador a porção humana presente até mesmo em uma grande heroína e isso começa a ser construído nessa apresentação a mitologia do universo e então vemos o desenvolvimento de Diana para Mulher-Maravilha ferramenta que foi capaz de criar complexidade para a ingenuidade que será fator importante na elaboração de nuance dentro de futuros conceitos evocados.

Após resgatar um agente duplo (Chris Pine) chamado Steve Trevor, Diana (Gal Gadot) que vive completamente isolada com as outras amazonas em uma fenda dentro do mundo, descobre a existência de uma guerra que parece ser sem fim e projetada pelo próprio deus da Guerra Ares.

Decidida derrotar tamanho mal Diana parte com Trevor para a Primeira Guerra Mundial, mas o que Diana leva toda a trama para entender e se torna uma elucidação clara aos tempos atuais é que não há apenas um único mal e que ele está diluído em potencias por toda parte.

 

Um erro que ainda se repete, isso em quase todos os filmes que pertencem a esse nicho, é a criação de antagonistas fracos em suas dinâmicas os tornando marionetes caricatas que apenas existem para cumprir tarefas objetivas dentro narrativa. Nessa construção um tanto pouco criativa e engessada são colocados os três vilões do longa : o general Ludendorff (Danny Huston), a química Dr. Maru (Elena Anaya)  e  o personagem de David Thewlis (não mencionaremos para não criar um spoilers aqui).

O maniqueísmo utilizado para elaboração desses personagens é a principal falha da obra, a mais grave certamente, pois o discurso que é mais evidente nega que o mal seja oriundo de uma única fonte e que ele estaria engatilhado na natureza humana, mas o que de fato ocorre é uma entrega à tentação de personificar esse mal, especialmente no caso de Ares, em busca de um grande duelo entre deuses na tela.

O filme se destaca em sua direção impecável de cenas de ação e na capacidade de sua diretora em criar imagens equilibradas que fogem do vício visual exagerado visto em filmes anteriores, existe um trabalho muito bem realizado pela fotografia dentro do conceito que parece tentar fazer tudo em torno da personagem pulsar a medida que ela consegue afirmar suas forças.

Não há como falar da afirmação de força sem mencionar o excelente desempenho de Gal Gadot em seu papel e da importância que existe em sua performance. “Mulher-Maravilha” não é um filme impecável ou que fuja por completo do que se espera de obras dentro desse gênero, mas consegue fazer grandes avanços se comparada aos últimos que também pertencem a esse espaço.

Poster Oficial

 

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  • Cadu Barros

    “Não querendo dar spoilers, mas já dando…”

  • Heisenberg

    Fala besteira, apaga o comentário que apontou isso e muda o texto. Muito bom o site hein?! Assumir erro pra que? E ainda tem coragem de botar “critica de cinema” na bio. Meu deus.
    Alias não entrei nesse mérito no outro comentário, mas, como crítica cinematográfica, seu texto é muito pobre moça. E pra piorar ainda tem o que o rapaz do comentário abaixo apontou. Sugiro ler alguns livros sobre cinema. Posso te passar uma lista se quiser. E procurar o trabalho de gente renomada no mundo da critica Pauline Kael, Roger Ebert, Pablo Villaça, etc, pra entender a função de uma. Não sei onde vc se formou ou onde trabalhou, ou se só diz isso pq “gosta de cinema” e quer passar alguma credibilidade ao texto. Mas precisa melhorar muito. E como pessoa tbm, afinal esconder os erros que outras pessoas apontaram é covardemente feio.

    • Pedro Amaro Lima

      Olá, Heisenberg.
      Até pensei em estabelecer um diálogo contigo. Mas por esse tom agressivo não vale a pena.

      Pessoas assim nós dispensamos.