Master of None | 2ª Temporada | Crítica

Por Juliana Miyahara

10 Episódios – Comédia
Criadores: Aziz Ansari e Alan Yang
Direção: Aziz Ansari, Eric Wareheim, James Ponsoldt e etc
Com: Aziz Ansari, Eric Wareheim, Lena Waithe

A segunda temporada de “Master of None” estreou completa na Netflix há pouco mais de uma semana, depois de um hiato de um ano e meio. A comédia dramática – com boas doses de romance – é criação de Aziz Ansari, que também interpreta o protagonista Dev, e Alan Yang, um dos roteiristas de “Parks & Recreation”, série pela qual Aziz ficou conhecido pelo grande público.

Como na primeira temporada de “Master of None”, os dez novos episódios de pouco mais de 20 minutos cada narram eventos na vida de Dev em formato de crônicas urbanas. Embora não exclusivamente, a temporada dá ênfase às suas relações amorosas, ou a procura pelo par ideal, em meio aos dilemas profissionais, a interação com os amigos e a família e o cotidiano metropolitano de Nova York, a menos a partir do terceiro episódio, quando Dev retorna de Modena, Itália, onde viveu por alguns meses aprendendo a fazer pasta.

O primeiro episódio homenageia “Ladrões de Bicicleta”, filme neorrealista de 1948 de Vittoria De Sica. Em preto e branco e cheio de referências e easter eggs, “The Thief” apresenta a vida de Dev na pequenina e charmosa cidade que ele escolheu para estudar o feitio da massa, ao lado de novos personagens. Embora Rachel, sua ex-namorada, ainda esteja presente em forma de lembranças e uma saudade malquista, é em Modena que começa a ser moldado o novo romance de Dev.

Eclética, essa temporada, no entanto, não foca em seu novo relacionamento. Alguns episódios temáticos e conceituais se mesclam aos habituais, enriquecendo a trama e pautando assuntos como religião, homofobia e, claro, relacionamento amorosos, de forma leve, mas relevante ao mesmo tempo.

 

“New York, I love You”, por exemplo, conta a história de três personagens que cruzam o caminho de Dev, mas nunca interagem com ele. Eddie, Maya e Samuel são, respectivamente, um porteiro, uma balconista e um taxista, e representam uma população novaiorquina com menos privilégios, mas cujos problemas amorosos – ou aqueles que testemunham – são palpáveis para qualquer um, mostrando a universalidade do tema com ótimo texto e boas sacadas.

 

Como na primeira temporada, os episódios são bem escritos e dirigidos, e se diferem do que é normalmente feito para a televisão mainstream, aproximando-se mais de uma linguagem cinematográfica que propriamente televisiva. Longos e fixos planos acentuam interpretações magníficas, criam um ritmo compassado e dão profundidade a acontecimentos corriqueiros.

A câmera, por sua vez, funciona como um personagem quase invisível, à medida que se faz presente e enfatiza emoções, mas não exageradamente, a ponto de quebrar a quarta parede. Outro ponto positivo é a trilha sonora, que contempla de Ennio Morricone a 2Pac, passando por Kraftwerk, Poison, David Bowie e uma série de boas bandas e artistas da cena indie atual.

 

Embora a carreira de Aziz tenha se iniciado nos palcos, através de shows de stand up, o humor de “Master of None” passa longe da gargalhada explosiva e da piada óbvia e contem-se em um âmbito mais introvertido e reflexivo. Os dilemas da vida pós trinta anos são retratados de maneira sincera, o que causa empatia imediata do público dessa faixa etária e, ao mesmo tempo, o timing de Aziz aliado ao carisma natural de seu personagem levam à agradável sensação de bem estar, na melhor definição de série “feel good”.

Por outro lado, ao introduzir assuntos como racismo, mesmo que não de forma panfletária, “Master of None” consegue ser relevante politicamente, além de bom entretenimento.

É uma pena, no entanto, que uma terceira temporada não tenha previsão de estreia, especialmente depois do gancho ambíguo com o qual termina o último episódio. Aziz declarou, em entrevista recente, que não sabe ao certo se haverá uma terceira temporada.

Por conta do caráter extremamente pessoal, tanto ele quanto o co-criador Alan preferem produzi-la em seu próprio tempo, o que pode significar que ela demore ainda mais que um ano e meio para retornar. Aguardemos.

Poster Oficial

 

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