Redemoinho | Entrega Um Bom Filme | Crítica

1h 40min – Drama – 2017
Direção: José Luiz Villamarim
Roteiro: George Moura
Com: Irandhir Santos, Dira Paes, Júlio Andrade

Por Julie Nunes

 

Inspirado na obra “Inferno Provisório”, de Luiz Ruffato, o longa “Redemoinho”, dirigido por José Luiz Vilamarim, conta a história do reencontro de dois amigos de infância, Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Julio Andrade), quando o último retorna a Cataguases. A cidade retratada no filme é de suma importância, pois cumpre a função de uma atmosfera que permeia todo o longa para tornar o tipo de relação entre os dois personagens principais ainda mais nítida.

 


Em sua estreia no cinema, o diretor José Luiz Vilamarim escolhe trabalhar em uma linha muito distante de tudo que já fez, sendo oriundo da televisão e conhecido principalmente por seus mais recentes trabalhos como “O Rebu”, “Amores Roubados” e “Justiça”.  Neste longa se preocupa em dar espaço para que a movimentação de cena case de maneira natural com a de câmera e, assim, contribuir com a frugalidade tão necessária e que torna o ambiente e seus personagens tão próximos e críveis. A grande questão nesse universo é revelar como as escolhas de vida que seus personagens tomaram modificaram seus destinos de maneira irremediável, inclusive revisitando um fato do passado dos amigos, tornando todos ao aspecto do presente ainda mais pesados do que são.
A representação das diferenças entre a vida do amigo que ficou, Luzimar, e do que foi viver na cidade grande é motivo de uma interessante e latente tensão entre os dois que é muito bem desenvolvida pelo roteiro de George Moura, roteirista de “Cidade dos Homens”, “Linha de Passe” e “Amores Roubados”, que conduz essa história sabendo criar diálogos marcantes, mesmo quando despretensiosos, e mediar bem o equilíbrio entre os outros personagens e suas intervenções e pesos na narrativa central. O

mergulho naquele universo é bem desenvolvido por seu roteirista e demonstrado com sensibilidade pelo seu diretor, ambos muito conscientes sobre as necessidade de pausa e ritmo, que por vezes abraça a sensação de desdobramento vinda da literatura. A forma como seus personagens se relacionam, suas qualidades e maneiras interioranas são um destaque minucioso e também uma boa adaptação das intenções do livro de Ruffato, que no filme se resume a um recorte específico dentro da obra, mas que de alguma maneira consegue ultrapassar seus próprios limites, alcançando a essência proposta pelo escritor.
“Redemoinho” não é uma história que apresenta grandes reviravoltas, inclusive tendo um clímax que apesar de transmitir tensão, não é exatamente surpreendente, mas suas sutilezas e questionamentos, esses sim, possuem força e trabalham para a aproximação de seu espectador pois, mesmo se tratando de um recorte bastante particular, toca em âmbitos universais sem soar apelativo.

O bom resultado se dá por meio das ótimas atuações de um elenco coeso que entrega honestidade a personagens extremamente humanos, sendo injusto aqui citar apenas seus protagonistas sem mencionar Dira Paes, que com sua interpretação constantemente grave, dentro da ansiedade que vive, ainda assim é capaz de atenuá-la no momento que é necessário; e a atriz Cyria Coentro, dando o peso da trajetória de sua personagem de maneira surpreendente em suas cenas, que apesar de poucas, são suficientes para que compreendamos o que se passa em sua vida.
O filme não se isenta de pequenos equívocos, como a realização de um trabalho de pós-produção que poderia ser evitado na própria filmagem ou quando os atores oscilam entre o sotaque da região aonde o filme se passa para seus próprios, mas nada disso é capaz de deter o bom filme que “Redemoinho” é.

Poster Oficial

 

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