E a mulher criou Hollywood (de Clara Kuperberg e Julia Kuperberg) | Crítica

52 min – Documentário – 2016

Por Julie Nunes

 

Ao pensar em Hollywood e seus talentosos artistas de cinema, muitos nomes surgem, contudo, quantos deles são mulheres em cargos de produção? Certamente a quantidade diminui drasticamente, mas nem sempre foi assim. “E a mulher criou Hollywood” é um documentário realizado- dirigido, editado e produzido- pelas irmãs Julia Kuperberg, Clara Kuperberg que visa descortinar para seu público uma realidade em Hollywood muito diferente da que conhecemos, aonde as mulheres eram não só mais presentes como tinham cargos de liderança em peso, diretoras, produtoras e roteiristas que por vezes eram atrizes também. Tal realidade predominou no começo do cinema, nos anos de 1910 até 1920 quando  a sétima arte ainda não era tão reconhecida ou mesmo compreendida, o que ressalta o pioneirismo e talento dessas mulheres.

O longa se dá apresentando alguns dos principais nomes e suas trajetórias por meio de uma narrativa bastante didática que se mescla entre imagens de arquivo e depoimentos de mulheres da indústria, produtoras renomadas, que não só comentam esse período da história do cinema como também falam de sua própria jornada  como Sherry Lansing que conta que começou como atriz mas que ao chegar no set viu que o que realmente a interessava era estar por trás das câmeras e a, também produtora, Paula Wagner que está por trás de diversos filmes de ação, gênero esse aonde poucas mulheres ocupam cargos de chefia como o dela. De longe sua melhor qualidade fica para pesquisa árdua sobre as mulheres que iniciaram e fortaleceram Hollywood como Alice Guy que historicamente é a primeira diretora de um filme narrativo, seis meses antes de Griffith, sendo importante esclarecer que não se trata da primeira diretora mulher e sim da primeira direção.

Ultrapassando o informativo e tocando em questões políticas e sociais “E a mulher criou Hollywood” é uma obra necessária e transformadora ao ponto que sequer em faculdades de cinema esse conteúdo é explorado e que agora, com a existência do filme, é o momento para essa mudança e alerta sobre a imensidão de conhecimento que precisa vir a luz. Não se trata de uma narrativa ousada ou mesmo impecável – inclusive por deixar suas entrevistadas sem identificação para o público – ainda sim é riquíssimo em pesquisa e conteúdo, deixando espaço para que esse tema seja mais estudado, abordado e investigado, não só em Hollywood mas no mundo.

 

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Cartaz Original

 

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