Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Your Circuit’s Dead, There’s Something Wrong | Crítica

Por Julie Nunes


2h 17min – Aventura / Fantasia – 2017
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Com: Dane DeHaan, Cara Delevingne e Clive Owen

Quando Luc Besson inicia seu mais novo longa, Valerian – A cidade de mil planetas,  ao poderoso som de Space Oddity, de David Bowie, se torna indiscutível que o trabalho carrega consigo a ambição naufragada em seus projetos anteriores de realizar uma ficção científica marcante e potente para dizer o mínimo. Contudo, dentro dessa mesma constatação, a magnitude pretendida é diretamente proporcional à sua dificuldade de concretização, e justamente tendo em vista os mais recentes trabalhos do diretor, se torna inevitável não temer que os recorrentes vícios não afoguem a obra.

Tão logo nos primeiros instantes do filme a tela é ocupada por imagens que claramente pretendem, com sua suntuosidade, deixar o espectador sem fôlego, apresentar um universo tão visualmente impactante, dentro de uma simplicidade baseada em poucos elementos concretos e um transbordar de nitidez e fluidez, que daquele ponto em diante seria impossível esquecer-se da empreitada.

De fato, esse esforço é notado – inclusive pontuado por algumas colocações que procuram ressaltar por meio de cenas com mais contraste de cores e design – porém o fiapo narrativo empregado para sustentar toda essa atmosfera é tão frágil que rapidamente tudo se transforma em uma ousada e vazia construção tendo tudo devastado pela incredulidade daquele que a assiste tão ferozmente quanto o planeta destruído dentro da própria narrativa.

 

Os agentes Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) estão em uma missão para a proteção Alpha quando Valerian é “tocado” pela energia vital da falecida princesa do povo Mül, que encontra nele um abrigo para suas lembranças, peças-chave para a compreensão do que realmente ameça Alpha.

Esse ponto de encontro é também o encontro entre temporalidades distintas, pois Mül haveria sido destruído há muitos anos até que essa força encontrasse seu hospedeiro.

Esse elemento é armazenado para se desenvolver mais a frente da narrativa, que prefere dar destaque ao possível romance que haveria entre seus protagonistas, mais algumas cenas de ação e a chuva de referências visuais de filmes como Avatar (o povo de Mül, não somente em seu tom de azul e corpo esguio, também parece carregar a filosofia Na’vi com seu modo de vida), Star Wars (um mercenário que remete ao icônico Jabba the Hutt), e aos próprios filmes de Besson que parecem ser para Valerian tal qual uma entrada em um cardápio que peca por ser eclético demais.

Suas escolhas visuais estão longe de conseguirem sustentar a narrativa frágil de tom juvenil voltada para o romance entre os personagens centrais, tanto que toda a ação parece se limitar em reunir o casal mais do que realmente salvar Alpha.

Logo no começo do filme, Valerian pede Laureline em casamento. Por conhecer a fama do pretendente ela recusa, porém ao longo do filme o relacionamento se estreita e já em seus minutos quase finais, em uma cena de pretensão cômica, a personagem é vestida para um jantar em um traje muito similar a um vestido de casamento.

Esse detalhe chama a atenção não porque há algum problema com o fim – óbvio – do casal, mas com o moralismo empregado em uma obra que se coloca em um universo tão distinto e distante e nisso está seu real problema. Sua ambição não está em uma elaboração da ficção científica, mas em usar o gênero enquanto uma larga vestimenta para uma empreitada estética/tecnológica de alto custo que tem apelo em um falso arrojo.

Há de se mencionar o interessante uso de realidades coexistindo, virtualmente, trecho do longa capaz de capturar atenção não só pela ação que este está embutido, mas pela própria ideia de uma sociedade divida entre o que é possível ver e o que está em outras camadas alterando todos os planos.

O dito refinamento estético falta em seu roteiro e no que diz respeito aos elementos visuais há um incômodo aparelhamento com estéticas próximas à de games, e aqui há uma preocupação em salvar os com poder de ousadia e inovação, presos a um quadro subjetivo sufocante e tedioso.

Poster Oficial

 

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