A Torre Negra | O Vazio | Crítica

Por Nincow Luciano

1h 35min – Aventura / Ação – 2017
Direção: Nikolaj Arcel
Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen e Nikolaj Arcel
Com: Idris Elba, Matthew McConaughey e Tom Taylor

A Torre Negra, filme baseado na saga de oito livros de Stephen King (obras que conquistaram, ao longo dos 30 anos que o autor levou levou para finalizar seu trabalho, diversos fãs ao redor do mundo) é um conto épico e cheio de fantasia, inspirado nas obras de Tolkien e com elementos de Western.

Diversas foram as tentativas ter uma adaptação tanto para as telonas quanto para a TV, mas foi apenas quando o diretor Nikolaj Arcel, que é particularmente um grande admirador dos livros, assumiu a responsabilidade de fazer com que o projeto acontecesse que este conseguiu decolar, projeto esse que, depois da entrada dos astros Matthew McConaughey e Idris Elba aumentou cada vez mais as expectativas dos fãs leitores e chamando atenção dos cinéfilos.

Prometendo um filme independente das outras obras, o diretor se comprometeu a trazer algo como uma sequência, ainda que repleta de elementos do universo criado previamente no qual a obra se baseia, mas, independentemente do enorme hype que foi criado gradativamente por conta dessas adições e propostas, o filme (justamente pela enorme esperança depositada nele) decepciona muito, com um roteiro errado por completo e um visual confuso somados a um ritmo que parece não saber de qual gênero faz parte.

A obra tem como principal problema o roteiro, o que acaba, nesse caso influenciando o restante dos elementos, já que, ainda que deixássemos o estilo visual de fora desta área, ele apenas acrescenta na aparente falta de entendimento do universo que é demonstrada desde as características mais básicas do longa.

Com diálogos fraquíssimos, não há o que as duas estrelas possam fazer, deixando o vilão “O Homem de Preto”, interpretado por McConaughey, com um tom blasé e seguindo uma agenda vazia e sem nenhuma profundidade ou motivação trabalhada, ele apenas está lá usando preto e “sendo mal”. Já Elba, que interpreta o “Pistoleiro” Roland, tenta trazer uma carga dramática para o seu personagem e arco, mas, mais uma vez, o filme falha em desenvolver de maneira crível e traduzir dentro da trama a importância que um herói como o Pistoleiro deveria ter.

Esses fatores acabam afetando diretamente todas as cenas de ação, pois dificulta criar uma certa “química” entre Roland e o protagonista Jake Chambers e fazer com que nos importemos com cada desafio com os quais eles se deparam.

Continuando com o problema de roteiro, o filme não busca uma identidade ou apropria de ferramentas de gêneros para potencializar sua trama, aqui acontece o contrário, sofrendo o mesmo problema que “Tomorrowland”, filme de 2014, sofre: existem muitas ideias de elementos a serem trabalhadas mas, como nenhuma delas é devidamente desenvolvida, acabamos por nos deparar com um “Frankenstein” que mais apresenta características do que as desenvolve, deixando todas elas tortas e vazias.

Muito inspirado pelos filmes infanto-juvenis dos anos de 1980 e 1990, ele falha ao tentar buscar ter diversos estilos em um só pois temos, em apenas 1 hora e 35 minutos de filme, uma tentativa de criar uma jornada de mestre e aprendiz (como em “Karate Kid”), um filme de embate entre duas forças colossais através de dois atores renomados (como em “O Exterminador do Futuro 2”), ou um filme de perseguição através de diversos cenários/mundos (como em O Quinto Elemento), e, simplesmente, não entrega nenhum deles satisfatoriamente, fazendo com que o público se sinta incomodado com a falta de continuidade ou de uma mínima explicação plausível do porque as coisas são da maneira que são apresentadas.

A Torre Negra demonstra, mais uma vez, que, para se construir um bom filme, é necessário mais do que apenas a paixão do diretor pelo material base e sua boa vontade de trazê-lo à vida (vide O Último Mestre do Ar e Ghost in the Shell), e que Hollywood ainda tem um longo caminho a percorrer se quiser começar a obter sucesso em adaptações de outras mídias que não sejam relacionadas à filmes de super-heróis porque, ainda que tenhamos casos de ótimas adaptações fílmicas de obras literárias, na história recente esse cenário tem se mostrado o exato oposto, e não demonstra sinais de melhora.

 

Poster Oficial
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