Better Call Saul | Episódio 1 | 3ª Temporada | Crítica

Por Juliana Miyahara

10 Episódios – Crime / Drama
Criadores: Vince Gilligan, Peter Gould.
Direção: Vince Gilligan, Thomas Schnauz, Peter Gould e etc.
Com: Patrick Fabian, Michael McKean e Rhea Seehorn.

COM SPOILERS

O primeiro episódio da terceira temporada de Better Call Saul começa como os outros season premieres: com um sneak peak na vida de Saul Goodman pós Breaking Bad, em preto e branco. É curioso perceber que os eventos acontecem no futuro em relação ao tempo da série, em uma viagem fatídica e amarga. E ainda que preto e branco normalmente representem o passado, e não flash fowards, aqui podem justamente significar a falta de perspectiva na vida fadada ao insucesso de nosso protagonista, hoje, Jimmy, amanhã, Saul, e depois, Gene.

Como nas outras temporadas, os minutos dedicados à introdução estabelecem não somente o cotidiano tedioso e solitário de Gene, como também os resquícios de seu eu do passado, seja como Jimmy, seja como Saul, ainda que, essencialmente, saibamos que todos são a mesma pessoa: “moralmente flexível”, como diria Mike, mas de bom coração. Jimmy é o anti-herói que o público ama amar porque embora se deixe levar pelas fraquezas e desvios de caráter, suas motivações dificilmente são egoístas e cruéis.

Pelo contrário, Jimmy, apesar da esperteza e malandragem que deram vida a Slippin Jimmy, coloca, no fim das contas, o interesse do próximo a frente de seu próprio.

É justamente essa dualidade que o leva aos atos do final da segunda temporada: depois de falsificar documentos para recuperar o cliente de Kim, confessa o crime para o irmão, numa tentativa de amenizar as consequências que ele eventualmente julga graves demais.

Ao contrário do rancoroso e invejoso Chuck, Jimmy entende que não deve ir às últimas consequências, mesmo que isso signifique prejudicar sua carreira, relacionamentos e integridade física.

E é a partir daí que o episódio, depois da introdução, começa a se desenrolar: exatamente onde terminou a segunda temporada. As expectativas causadas pelo gancho angustiante não são, ainda, resolvidas.

Mas o que parece, em um primeiro momento, uma resolução fraca, se mostra, depois, o início de um problema que eventualmente pode desencadear no processo que levou Jimmy a se transformar em Saul.

Se as interações e diálogos entre Jimmy e Chuck continuam tensos e instigantes, as cenas de Jimmy e Kim decepcionam um pouco. Embora a inquietude esteja presente e a maneira como Kim se comporta seja também um indicativo de um futuro nebuloso que se aproxima, algumas sequências são apenas cansativas.

O núcleo de Mike, ao contrário, é retomado exatamente de onde parou no último episódio, de maneira enérgica, brusca até, o que causa problemas no ritmo e fluidez do episódio. Apesar disso, as sequências que se desenvolvem para contar sua história são absolutamente bem escritas e dirigidas – tirando um time lapse fora de lugar.

A quase ausência de diálogos e de outros personagens tornam as situações aflitivamente divertidas, e não só remetem muito a Breaking Bad como confirmam, novamente, a genialidade imprevisível de Mike.

O primeiro episódio da terceira temporada anuncia uma temporada consistente dramaturgicamente, com estrutura, roteiro e direção competentes e pouca ou nenhuma interferência que a avilte enquanto obra cinematográfica, como costuma acontecer com a maioria das séries de TV.

É improvável que estejamos nos aproximando do fim, o que é uma boa notícia. E como anunciou o easter egg do penúltimo episódio da temporada passada, Gus Fring deve fazer ao menos uma aparição, mesmo que pequena. Veremos.

Poster Oficial

 

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