Atômica | Charlize Theron Voltou | Crítica

Por Julie Nunes

1h 55min – Ação – 2017
Direção: David Leitch
Roteiro: Kurt Johnstad
Com: Stars: Charlize Theron, James McAvoy e John Goodman

 

 

Pensar o cinema de ação, especificamente o que faz uso da Guerra Fria como pano de fundo, é abrir margem para pensar a curiosa relação entre o agir rapidamente -e sem nenhum espaço para erros- em um período que a cautela não era apenas uma medida, mas uma forma de sobrevivência ao risco fatal, porém silencioso.

O medo, o silêncio e a sombra são constantes quando se fala no período e no cinema caminham quase como uma equação obrigatória para o retrato histórico. A decodificação, portanto, desses elementos acaba como o propósito chave da maioria de seus roteiros, como a comum – e necessária- presença de um impostor/traidor.

No que diz respeito a questão estética o cinema esteve bastante alinhado com a representação mais fiel possível do acinzentar predominante, a frieza que não está só nas formas de articulação, mas também predominam a atmosfera.

A agilidade assertiva, e decisiva, é o cinema de ação em sua expressão mais loquaz. Movimentos coreografados com precisão cirúrgica até mesmo para criar uma flexibilidade, um erro controlado, que ali trabalha a serviço de uma mínima verossimilhança são pilares para essa construção.

Em Atômica, dirigido por David Leitch, isso transborda tal como em John Wick , co-direção sua com Chad Stahelski, e ferramenta primeira de seu trabalho enquanto dublê em filmes como  Matrix, 300, Onze Homens e um segredo e outros inúmeros títulos.

Atômica conta a história da agente inglesa Lorraine Broughton (Charlize Theron) que está sendo interrogada pelo seus chefes do governo,após voltar de uma turbulenta missão na Alemanha na semana da queda do Muro de Berlim.

O roteiro se trata de uma adaptação da HQ “ The Coldest City” escrita por Antony Johnston e ilustrada  por Sam Hart na qual a força mais expressiva está na criativa construção que a personagem Lorraine faz dos fatos, assim, demonstrando com clareza a riqueza de manipulação existente no período.

O poder estava nas mãos daquele que melhor identificasse o perigo, quase invisível, e na falta de nitidez pudesse se camuflar. O longa consegue criar um ritmo eficaz para expor as manobras da narrativa, contudo, devida à pouca complexidade dos personagens – estereótipos frequentes do gênero- não é difícil ter decifrado o final pouco misterioso muito antes que ele ocorresse.

O potente não está em seu roteiro, mas em seu visual arrojado que  segue uma linha bastante similar ao seu longa anterior com Stahelski, e no caso se torna ainda mais interessante quando associado ao período que reproduz, criando para seu discurso uma força de ruptura ao fugir da repetição de palhetas lavadas.

Leitch assimila e se destaca dentro da, relativamente recente, explosão de adaptações de HQ’s ao flertar com o heroico e pop. Ao escolher um trabalho que exalta uma forte personagem feminina, conjuga o grafismo – existente no trabalho original, porém que se constituía muito mais próxima ao noir do que no neon do filme- o empoderamento e uma trilha de sucessos, atingindo com tranquilidade o pop e criando uma obra sintonizada com o amplo mercado.

Tais facetas são constituídas por uma boa dose de carisma oriunda da imensa experiência e da impressionante performance física de Charlize Theron.

Atômica cruza referências das mais distintas, James Bond e Debby Harry, Guerra Fria e o Neon pulsante, a música “99 luftballons” e cenas de ação.

A direção de Leitch se preocupa menos com os detalhes do enquadramento para dar espaço a uma ação mais despojada dentro do quadro, contudo a soma final é um filme com uma leveza divertida mas – em uma inevitável comparação- menos eloquente que seu antecessor John Wick.

Poster Oficial

 

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